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Ala L - CAPÍTULO VII - A fuga repentina

Written by Marco Antonio Mendes Ferreira on 14:57


Ricardo sabia que precisava tomar cuidado com suas respostas. - Diga que o navio negreiro que seguia para Portugal foi atacado por corsários ingleses, a embarcação afundou, eu nadei até a praia e fugi para a floresta. Venho fugindo desde então, tentando me esconder.

O medo de acabar sendo castigado deixava Joaquim nervoso, obrigando-o a tomar muito cuidado com a tradução. Raul ouviu o que Joaquim disse e encarou Ricardo de forma interrogativa. Fez a pergunta sem olhar para Joaquim. - O gajo. Ele perguntou como você sabe que Maria Stuart será assassinada?

Ricardo questionava-se como dizer a alguém do século XVI que ele veio do futuro e que tudo que ainda vai acontecer com seu país ele aprendeu em aulas ministradas dentro de uma penitenciária. - Diga que ouvi dois homens conversando.

Joaquim traduziu e logo voltou com a resposta seca de Raul. - Onde?

Ricardo percebeu que estava afundando-se cada vez mais. Não conseguiria manter a mentira por muito tempo. - "Droga, só conheço o vilarejo e a minha cela. Onde posso dizer que ouvi os caras conversando?" - Fo então que Ricardo pensou em uma saída. - Diga que eu estava escondido na floresta quando ouvi dois homens conversando.

Novamente a resposta foi breve. - Sabes quem era gajo?

- Não. Não os vi. Estava escondido.

- Ele perguntou o que disseram?

- Disseram que ela precisava morrer.

- Saberias dizer quem são caso os visse novamente? - Traduziu Joaquim.



**********

Severino correu para fora do trailer assim que ouviu a explosão. Antes que percebesse, estava cercado por agentes do laboratório, todos homens do doutor, os quais apontavam metralhadoras para ele. Lentamente, levantou seus braços e permaneceu imóvel. - Calma. Calma. Sou eu. Severino.

- É você mesmo que viemos buscar.

- Mas o que eu fiz?

- Não me interessa. O Dr. Rubens mandou prendê-lo e pronto. Você pode ir por bem. - Nesse momento, outro vigia engatilhou o rifle calibre 12 e disse. - Ou por mal.

Severino percebeu que seria preso e que de nada adiantaria argumentar com aqueles agentes. Um deles aproximou-se e o algemou.

Varrendo o horizonte com os olhos em todos os lados, Severino procurava por algum sinal de Ana. - O que foi que eu fiz? - Começou a se debater tentando escapar, mas recebeu um forte golpe com a coronha de uma metralhadora. Instantes depois, estava sentado em uma pequena sala vazia dentro da ala L.



**********

Ana dirigia calmamente pela rodovia quando uma caminhonete S10 apareceu de repente e começou a bater na lateral esquerda trazeira de seu carro. Refeita do susto, acelerou tentando escapar. A caminhonete começou a bater na lateral esquerda e o passageiro fazia sinais para que ela encostasse o carro. Ignorando o homem, ela acelerou ao máximo, ultrapassando a caminhonete, mas antes que se distanciasse, eles começaram a atirar na direção dos pneus.

Ao olhar pelo retorvisor viu o homem apontar um rifle para seu carro e começou a jogar o carro de um lado para o outro da pista, até que um dos tiros atingiu seu pneu. Assim que ouviu o barulho do estouro, Ana derrapou o carro para a direita fazendo-o virar cento e oitenta graus. A caminhonete parou alguns metros à frente e os dois homens desceram com suas armas na mão. Ana pegou sua pistola e acertou um tiro na cabeça do motorista. Perdido e assustado, sem ter onde se esconder, o passageiro abaixou-se desajeitado e disparou contra o carro. Ana já fazia mira e acertou três tiros no peito e um na cabeça. O homem tombou morto. Ana correu para denro da S10 e partiu, deixando os corpos e seu carro para trás.

**********

Doutor Rubens e Rafael entravam no trailer de Severino. A cortina que escondia os diversos computadores e monitores estava aberta, revelando as imagens das diversas câmeras espalhadas pelo complexo penitenciário. - Desgraçado. Maldito. Eu sabia que havia algo de errado com esse faxineiro. Rafael, verifique o que está gravado nesses computadores.

Rafael sentou-se e começou a examinar os computadores. Doutor Rubens esperava de pé atrás dele vigiando tudo com atenção.

- Doutor. Existem várias unidades de armazenamento externas com vários vídeos gravados.

- Quais as datas dos vídeos.

- São muitas datas doutor. A gravação mais antiga que eu encontrei até agora é de oito meses atrás.

O doutor pensava sobre a data e o que poderia estar sendo feito naquela época. - Quero assistir os vídeos.

Rafael começou a exibí-los um após o outro. Os vídeos mostravam apenas cenas cotidianas da penitenciária. - Espere. Rafael, procure os vídeos do dia nove.

Minutos passaram-se, todas as unidades externas e internas de armazenamentos foram pesquisadas e logo Rafael já havia selecionado uma lista de vídeos. - Aqui estão todos os arquivos do dia nove.

- Deixe-me vê-los. Agora.

Rafael exibia-os um após o outro, até que foi interrompido. - Está faltando um arquivo.

- Como assim doutor?

- Veja o horário. Está faltando duas horas de filme. Onde está esse arquivo?

- Nào sei doutor. Não está em lugar nenhum. Talvez não tenham gravado.

Doutor Rubens sabia que o filme que faltava era do horário em que o preso fora retirado da cela por seus guardas. - Precisa estar em algum lugar. Procure nas gavetas. Nos outros computadores. Ache esse arquivo.

Rafael percebeu que o doutor estava ficando alterado. O nervosismo era nítido. - Todos os computadores estão ligados em rede. Já procurei em todos e não achei.

- Ache logo. - Gritou o doutor.

Após o susto, Rafael continuou procurando na tentativa de ganhar tempo, mas sabia que não encontraria o arquivo. Observando os equipamentos e a estrutura de diretórios onde os arquivos estavam gravados, foi fácil deduzir que Severino era muito organizado. Se o arquivo não estava onde deveria era porque alguém o apagou. - Doutor. Alguém apagou o arquivo.

- Por que iriam apagar esse arquivo?

- Talvez tenham copiado para outro local e apagado daqui.

- Revirem esse trailer. Achem algum disco ou aparelho de gravação.

Rafael e os guardas começaram a destruir tudo. Em questão de segundos, todos os móveis estavam quebrados e rasgados, todos arremessados para fora do trailer. - Nada senhor.

- Aquela vagabunda. Deve estar com ela. - Rubens saiu do trailer seguido por Rafael e seus guardas. - Tirem esse trailer daqui agora.

- Não dá senhor.

- Por que não?

- Precisamos desligar os cabos de força senhor. Não sabemos fazer isso. Precisa de um técnico.

Rafael deu a volta no trailer. - Que cabos?

Assim que olharam do outro lado víram um grupo de cabos de força e muitos outros saindo da parede do edifício do laboratório e entrando no trailer. - Maldito. Ele ainda usava a nossa energia elétrica.

- E pelos cabos mais finos podia ver as mesmas imagens que o pessoal da segurança via doutor.

- Quero tudo isso desligado imediatamente. Rafael, providencie um técnico para desinstalar tudo isso. Depois eu quero todos esses equipamentos no laboratório para que eu possa ver todos os vídeos. Rápido.



**********

Ana guiava freneticamente pela estrada. Pegou seu celular, procurou um nome na agenda e discou. O telefone tocava insistentemente. - Atenda. Atenda. Atende droga.

Os toques pararam. - Alô!?
Devido às festas de final de ano, o próximo capítulo será publicado até o dia 09/01/2008.

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  1. 1 comentários: Responses to “ Ala L - CAPÍTULO VII - A fuga repentina ”

  2. By Jonatas Tosta on 17 de dezembro de 2007 às 09:16

    veja minhas mãos. não estão paradas. elas não param de bater as palmas mesmo depois de vermelhas.
    gostei mesmo.
    sem frescuras q estou mal acostumado a ler por ai.